segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

#8 - Whiplash: Em Busca da Perfeição (Whiplash, 2014, Damien Chazelle)


Faster! Faster! Faster! Começo esse texto embalada no ritmo do jazz e sem saber muito bem o que dizer desse espetáculo que foi esse filme. Há algum tempo que eu não assistia a um filme que me deixasse com uma sensação de tensão/ansiedade/nervosismo na cena final como fez Whiplash, cena esta que é orquestrada de maneira deslumbrante, diga-se de passagem. 

Andrew Neiman (Miles Teller) é um estudante de música que aspira ser um grande baterista. Para isso se realizar, ele acredita que precisar fazer parte da Studio Band de Terrence Fletcher (JK Simmons). Após ser pego no meio de um ensaio por Fletcher, o condutor parece desapontado com o que vê. O fato faz com que Neiman pratique ainda mais e em uma espécie de audição surpresa é chamado para a equipe tão sonhada.
Flecther, que engana parecendo amigável de início, transforma-se em um verdadeiro monstro e, inclusive, atira objetos em Neiman, quando ele não consegue o acompanhar, "not quite my tempo". Por mais que as coisas pudessem desanimar o jovem baterista, tudo isso transforma-se em combustível para torná-lo cada vez mais obcecado pela perfeição. Podemos observar isso em diversas cenas em que de tanto praticar, ele sangra na bateria.
Na primeira competição de jazz que a Studio Band participa, Neiman perde as partituras do baterista titular e acaba ocupando seu lugar por sabê-las de cor. Com isso, ele acaba ficando convencido de que finalmente alcançou a tão sonhada posição, mas descobrirá que não é bem assim que a banda toca, com o perdão do trocadilho. Um antigo colega de Neiman entra na banda e deixa a competição pela bateria ainda mais acirrada, agora que há três bateristas para uma vaga.
A segunda competição é o grande momento de conquistar o lugar ao sol. Porém, o ônibus em que viajava fura o pneu, ele tem de alugar um carro, sofre um acidente, segue andando o caminho, entra no palco sangrando e, mesmo sem a coordenação motora devida, começa a tocar, acaba não aguentando e estraga tudo. E em uma das sequências mais fortes do filme, vemos toda a gana do personagem em perseguir o seu sonho, que se vê interrompido quando ele parte para cima e tenta matar Fletcher no palco. Expulso da escola, a bateria vai parar no armário e tudo parece acabado.
O protagonista é completamente obcecado por ser o próximo grande nome do jazz. E todos os setores da sua vida são afetados e colocados em último plano, desde de seu namoro até o relacionamento com o pai. Na sequência final do filme, assistimos à queda e redenção de Andrew Neiman e somos deixados sem fôlego em uma cena nervosa e cheia de força, que fecha o filme de uma maneira inacreditável e que o coloca facilmente entre os melhores do ano passado.

Um filme sobre jazz e toda a luta e ascensão de um baterista pode até não chamar a sua atenção num primeiro momento, mas é um filme que você precisa assistir. Afinal, todos amamos jazz, mesmo que você creia no contrário. Toda a trilha sonora é impecável e o nome do filme, inclusive, deriva de uma música incrível, que é tocada várias vezes durante o longa. Além da trilha, outra coisa importantíssima são as atuações. Até então, todos os papéis que Miles Teller havia interpretado não foram de grande relevância. Porém, em Whiplash, o novo Sr. Fantástico mostrou todo o seu valor. A dramaticidade que o ator trouxe ao papel é sensacional e ele nos faz entrar na história e fazer parte dela, torcer por ele e sentir na pele a sua dor. Por outro lado, o veterano JK Simmons tem uma força no papel de Fletcher que nos mostra por que mereceu o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante e por que é o preferido do Oscar.

Avaliação: 5/5

domingo, 1 de fevereiro de 2015

#7 - Frank (Frank, 2014, Lenny Abrahamson)


Não é novidade pra ninguém que me conhece que o cinema britânico é meu favorito. E acho que já expressei isso aqui também. Logo, se um filme vem das terras da Rainha e redondezas, ele já chega com a probabilidade bem grande de me agradar. Além disso, música é uma de minhas grandes paixões. Frank reúne tudo isso com atuações brilhantes e um clima meio "cinza", que muito agrada. E esse é o título que fecha meu mês de janeiro nos filmes. 

Jon Burroughs (Domhnall Gleeson) é um inglês que leva uma vida mediana e tem o sonho de ser alguém na música. Seus dias, quando não está em seu trabalho entendiante, baseiam-se em ficar em cima do teclado, compondo suas músicas. Eis que, certo dia, uma oportunidade de ouro cai no seu colo e surge a chance de ele substituir o tecladista de uma banda underground chamada Soronprfbs, que tentou se suicidar por afogamento horas antes. Quem acerta tudo é o ex-tecladista e empresário da banda Don (Scoot McNairy) e quando ele chega pra tocar, parece que a banda não estava muito ciente do envolvimento de Jon, que também não conhecia os conhecia previamente. Durante o gig, onde tudo dá errado, conhecemos a banda, que além de ter uma sonoridade psicodélica e não muito usual, conta com músicos peculiares, entre eles, o vocalista Frank Sidebottom (Michael Fassbender), um cara que usa uma cabeça gigante o tempo todo e nunca mostra o rosto.
Devido ao show desastroso, que não contou com nem uma música completa, Jon acreditou que nunca mais ouviria falar dos Soronprfbs, Porém, para sua surpresa, é convidado para viajar com a banda para a Irlanda, onde gravarão o novo disco. Mais que prontamente, ele topa, acreditando que passará lá apenas alguns dias. Só que esses dias acabam se tornando anos e torram todas as suas economias, investidas na produção. Por mais que ele se esforce, e até conquiste Frank, o tecladista acaba por ser sempre um "outsider" dentro do grupo, nunca agradando realmente os outros integrantes Baraque (François Civil), Nana (Carla Azar) e a neurótica Clara (Maggie Gyllenhaal). Apesar disso, o disco é finalizado e, graças a filmagens "clandestinas" feitas por Jon e postadas online durante todo o tempo que passou com a banda, eles são convidados a tocar no grande festival norte-americano SXSW (South by Southwest). O sonho de fazer um grande show para um grande público, no entanto, torna-se um pesadelo e as coisas desandam feio.
O ótimo roteiro é baseado na obra "Oh Blimey!", de Jon Ronson. A inspiração inicial do filme vem de Chris Sievey, já falecido comediante e músico britânico que usava uma cabeça de papel machê e atendia sob a alcunha de Frank Sidebottom. O filme, embora ficcional, tem seu início inspirado nos escritos de Ronson dos dias em que foi tecladista ao lado de Sidebottom. 

Frank mostra o quanto a ganância e o desejo de poder podem cegar alguém, o que acontece com Jon, uma figura estrangeira que chega em um ambiente estável, por mais estranho que possa parecer, e só pensa no estrelato, ao invés de preocupar com as vontades e intenções reais da banda. Além disso, passamos o filme ao lado de Frank, que devido a algum distúrbio presente desde sua infância, resolveu aderir a um personagem ao invés de ser ele mesmo. Fassbender, diga-se de passagem, está em uma atuação excelente e nos consegue transmitir diversos sentimentos apesar dos olhos amigáveis no rosto gélido de sua máscara. A trilha sonora fecha o pacote fantástico deste filme que tem tudo para ser um grande "queridinho cult", com estreia no Brasil prevista para 5 de março, devendo passar - se passar - em pouquíssimos cinemas.

Avaliação: 5/5

sábado, 24 de janeiro de 2015

#6 - O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014, Wes Anderson)


Mesmo tendo assistido só um filme do Wes Anderson, já deu pra perceber que o estilo do diretor segue a regra "ame-o ou deixo-o". E eu amei. Por isso, quando anunciaram Grande Hotel Budapest, eu fiquei ansiosíssima pra assistir. Tudo bem que demorou milhares de anos pra finalmente fazê-lo, mas a espera foi recompensa por uma bela obra de arte. 

Ralph Fiennes é Gustave H., o concierge de um grande, imponente e rosa hotel na fictícia República de Zubrowka. O filme é narrado por Mr. Moustafa (F. Murray Abraham), outrora simplesmente conhecido como Zero, o fiel escudeiro de Gustave, brilhantemente interpretado por Tony Revolori. Jude Law interpreta um jovem escritor que está hospedado no Budapest e, durante um jantar com Mr. Moustafa, passa a conhecer melhor a história do Hotel e toda memória que ele traz consigo.
Gustave H. (Ralph Fiennes), devido a sua posição no hotel, tem uma relação bem íntima com as hóspedes do sexo feminino, o que as faz serem fieis ao local e sempre retornarem. Acontece que a última delas, Madame M. (Tilda Swinton), após retornar ao seu lar, é assassinada de maneira suspeita. Durante a leitura do testamento, Gustave H. é presenteado com um quadro caríssimo, o que revolta o filho da senhora, Dmitri (Adrien Brody), e faz com que a entrega dos itens seja adiada. Temendo não mais receber o quadro, Gustave H. e Zero decidem por roubar a peça, o que mais tarde desencadeará a suspeita de que ele foi responsável pela morte de Madame M. e o levará o filme a uma corrida para salvar o corcierge e provar sua inocência. 
O elenco do filme é excelente e cada um dos atores interpreta seu papel de forma estonteante. Além dos já citados, William Dafoe (Jopling), Mathieu Amalric (Serge X), Jeff Goldblum (Deputy Kovacs), Harvey Keitel (Ludwig), Edward Norton (Henkles), Saoirse Ronan (Agatha), Jason Schwartzman (M. Jean), Bill Murray (M. Ivan) e Owen Wilson (M. Chuck) completam o time de estrelas.
O roteiro, inspirado nos trabalhos de Stefan Zweig, é bem simples. Não apresenta muitas reviravoltas, mas empolga o espectador. A fotografia do filme é deslumbrante e o ritmo com o qual ele é levado, com uma trilha sonora condizente às ações mostradas em tela, nos faz perceber o quanto Wes Anderson é preocupado com cada detalhe de seu trabalho. Sem falar no estilo e classe que a obra tem, uma assinatura do diretor.

Ralph Fiennes, que é um ator fantástico, nos entrega uma de suas maiores atuações. E o jovem Tony Revolori nos cativa com sua simplicidade e carisma no papel de Zero. Grande Hotel Budapeste é um dos grandes filmes de 2014, não à toa ganhou o Globo de Ouro de "Melhor Filme de Comédia ou Musical" e está indicado a NOVE categorias no Oscar, com grandes chances de ganhar "Figurino", "Maquiagem e Penteado", "Fotografia" e "Design de Produção".

Avaliação: 4,5/5

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

#5 - A Festa Nunca Termina (24 Hour Party People, 2002, Michael Winterbottom)


O que esperar de um "mockumentary" que conta a história de um dos principais nomes do mercado musical nos anos 70 e 80 e que apresenta as principais bandas e acontecimentos do movimento new wave? Coisa boa, com certeza. E é o que recebemos em A Festa Nunca Termina.

Em uma atuação brilhante, Steve Coogan interpreta Tony Wilson, o narrador e personagem principal dessa história que se inicia em 1976, no auge do punk. Wilson é um apresentador de TV que sempre busca mostrar em seu programa um pouco da cena musical da época, destaque pro Sex Pistols e Buzzcocks. Ao acompanhar a história de Tony Wilson, acompanhamos a história do selo Factory Records, que você provavelmente já ouviu falar. O filme tem um pouco do clima de CBGB (2013) e Control - A História de Ian Curtis (2007), como se fosse uma mistura dos dois.
Atendo-se mais às lendas, mas ainda contando um pouco da história musical de Manchester, o filme nos mostra um pouco mais de bandas como Joy Division (e, posteriormente, New Order) e Happy Mondays. Além de mostra o nascimento da Hacienda, uma das maiores e mais famosas casas noturnas do UK, e o surgimento das raves e da "glorificação da batida".
O tom do filme mistura aquele humor da Terra da Rainha, com um pouco de drama e aspectos de doc também. A trilha sonora é matadora! Além das bandas supracitadas, nomes como Iggy Pop, Siouxsie and the Banshees, The Jam e A Certain Ratio nos fazem embarcar em uma viagem repleta de "sexo, drogas e rock'n'roll".
Vale também ressaltar o elenco excelente que dá vida às lendas, Paddy Considine (Rob Gretton), Lennie James (Alan Erasmus), Shirley Henderson (Lindsay Wilson), Danny Cunningham (Shaun Ryder), John Simm (Bernard Sumner), Sean Harris (Ian Curtis), Paul Popplewell (Paul Ryder) e Andy Serkis (Martin Hannett). Tony Wilson realmente esteve inteirado do projeto e até fez uma cameo no filme. Outras personalidades que deram as caras: Howard Devoto, do Buzzcocks; Paul Ryder, do Happy Mondays; Terri Seymour; Rowetta; Natalie Curtis, a filha de Ian; entre outros.

Eu sou apaixonada por música e cinema britânico, então eu tinha todos os motivos do mundo para amar o filme, que foi o que fiz. O roteiro é simples e o filme não chega a ser genial ou uma masterpiece, mas é um filme que te faz acreditar no que é mostrado. A Festa Nunca Termina quebra a quarta parede, fala de passado e futuro e nos mostra toda essa evolução musical. Por quase duas horas, eu vivi vinte e seis anos de "Madchester". E foi uma experiência ótima.

Avaliação: 4/5

domingo, 18 de janeiro de 2015

#4 - Brief Interviews With Hideous Men (Brief Interviews With Hideous Men, 2009, John Krasinski)


"The truth will set you free. But not until it is finished with you."
David Foster Wallace

Se você espera retirar conclusões aprofundadas sobre o que se passa na mente dos homens a partir dessas breves entrevistas, pode dar meia volta. Não é nem perto do que você encontrará aqui. Baseado no livro homônimo de David Foster Wallace, eu não sei até que ponto a superficialidade do roteiro adaptado (e dirigido) por John Krasinski é prejudicada pela obra original.

Levado em sua maior parte como entrevistas clínicas, Brief Interviews with Hideous Men conta a história da estudante Sara (Julianne Nicholson), que conduz tais entrevistas para fins de seu trabalho acadêmico. Até o final do filme, ficamos sem entender muito bem do que sua pesquisa se trata, mas no diálogo final somos levados a crer que visa um olhar sobre os efeitos do feminismo na pós-modernidade. Embora, eu realmente ache que suas motivações vêm de uma desilusão amorosa.
Numa espécie de "guerra dos sexos", somos apresentados a estes homens hediondos, que na maior parte do tempo falam sobre suas vidas sexuais, suas fantasias e seus truques. Ponto aqui para a escolha dos atores que interpretam os subjetcs do estudo, como é o caso de Timothy Hutton, Michael Cerveris, Dominic Cooper, Clarke Peters, John Charles, Christopher Meloni e Denis O'Hare, que deram vida a verdadeiros homens egoístas e repulsivos.
O filme parece, por momentos, um "mockumentary", remetendo a The Office (série da qual Krasinski faz parte) e algumas séries britânicas. Ele tem um caráter "leve" e "despreocupado", por assim dizer. Além disso, em alguns momentos temos a quebra da quarta parede, orquestrada por Kevin (Max Minghella) e Evan (Lou Taylor Purci), que funcionam como observadores/narradores das situações.

Quando eu acabei o filme, eu até que havia gostado dele. Agora, já não tenho tanta certeza. Longe de ser genial, o filme empolga mais pelos rostos conhecidos, e suas boas atuações, e por sua montagem, do que pelo enredo em si. Abordando alguns temas sem nenhuma profundidade, Brief Interviews with Hedious Men não ousa responder realmente nenhuma das perguntas que lança.

Avaliação: 3/5

sábado, 10 de janeiro de 2015

#3 - Alien, O 8º Passageiro (Alien, 1979, Ridley Scott)


Chego aos créditos de Alien - O 8º Passageiro aplaudindo, de pé, e com um sorriso no rosto. Ignoremos o fato de que o filme completa 40 anos em 2017 e eu só o assisti agora. O importante é que finalmente assisti. O filme que começa a saga de Ripley (Sigourney Weaver) é um marco no cinema e é considerado uma das obras-primas da sétima arte, tendo influenciado dezenas de filmes posteriores a seu lançamento.

A trama conta a história dos tripulantes da nave comercial Nostromos que estavam retornando à Terra após uma missão, mas que são despertados do sono devido à interceptação de um sinal. Quando aterrissam ao planeta de onde o sinal está sendo transmitido, alguns dos tripulantes decidem sair da nave, que sofreu avarias no pouso e está sendo restaurada, para fazer reconhecimento. Os três acabam encontrando uma nave alienígena abandonada e Kane (John Hurt) encontra uma "sala" repleta de ovos, onde acaba sendo atacado por uma criatura que sai de um desses ovos. De volta à nave, Ash (Ian Holm) libera a entrada dos três e não os coloca em quarentena, mesmo contra a vontade de Ripley (Sigourney Weaver), apenas encaminhando Kane à ala médica para investigar tal criatura e tentar salvá-lo. Após pesquisas não tão conclusivas, a criatura some e depois é encontrada morta. Kane acorda, aparentemente bem. Porém, quando estão celebrando o retorno do amigo e preparando-se para voltarem ao sono e a seu planeta natal, uma criatura tenebrosa, o nosso oitavo passageiro, acaba "nascendo" da barriga de Kane, trazendo o pânico real aos seis tripulantes restantes. Daí até o final do filme, observaremos a sua luta por sobrevivência e conheceremos mais sobre o Alien em questão.

O filme tem toda a cara de ficção científica oitentista (grandes painéis com luzes piscando? Temos!), o que traz todo um charme especial. Eu sou completamente apaixonada por efeitos práticos e efeitos especiais dos anos 70/80 e o lado estético do filme foi uma das coisas que mais me conquistou, não à toa o filme ganhou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 1980.
O roteiro assinado por Dan O'Bannon é baseado em um trabalho anterior escrito por ele e Ron Shusset e bebe de diversas fontes da ficção científica. E tanto o roteiro, quanto a direção de Ridley Scott, formam um pacote impecável, juntamente com a fotografia, trilha sonora, figurino, sem falar nos elementos alienísticos, criados pelo pintor surrealista  H. R. Ginger, e humanos, criados por Ron Cobb e Chris Foss. Cada pequeno detalhe do filme é primoroso e o cuidado com que ele é feito torna-o apaixonante.

O segundo filme de Ridley Scott, e sua primeira ficção científica, já demonstra todo o potencial do diretor e apresenta alguns elementos que veremos posteriormente em Blade Runner, O Caçador de Androides, de 1982. Além de catapultar a carreira de  Sigourney Weaver, o sucesso de crítica e comercial de Alien, O Oitavo Passageiro ainda rendeu três continuações (que comentarei aqui futuramente), dois prequels, uma série de livros, quadrinhos e games. 

Avalição: 5/5

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

#2 - Apenas Uma Vez (Once, 2006, John Carney)


Sou daquelas que julgam o filme pelo cartaz, sim. E tal julgamento nunca se provou tão verdadeiro. Apenas Uma Vez é um filme fraco, com atores fracos, diálogos qualquer coisa e que não começa nunca.

O que foi prometido como drama (pelo menos no catálogo do Netflix), se mostrou um verdadeiro WTF de uma hora e meia. O filme foi escolhido por minha amiga, que gostou do cartaz. Eu fui assistir esperando pelo pior, mas tive uma faísca de esperança quando nos créditos iniciais descobri que se tratava de uma produção irlandesa independente.
Nunca assisti nada feito pelo John Carney, mas ele também assina Clube dos Suicidas e, o mais recente, Mesmo Se Nada Der Certo, com a lindíssima Keira Knightley e elenco estrelado. Não sei se as percepções que tive do filme e algumas coisas que me incomodaram fazem parte do "estilo do diretor". Por isso, prefiro acreditar que trata-se de um filme experimental e não de uma produção mal feita, vide câmeras tremidas e closes forçados.
Sobre o enredo, o filme conta a história de um homem sem nome, que toca seu violão pelas ruas de Dublin, tentando ganhar a vida e viver seu amor pela música. Certa feita, este encontra uma moça tcheca, também sem nome, que se interessa pela música e puxa conversa com ele. Em diálogos bem sem graça, que minha irmã de catorze anos escreveria, eles começam a se relacionar e se conhecem melhor. O moço-sem-nome acaba descobrindo que a moça-sem-nome também é amante da música e juntos começam a trilhar uma carreira musical. Há uma tentativa de romance desastrosa, formada por diálogos tão ruins, que são até engraçados.
Apesar dos pesares, a trilha sonora do filme é muito boa. Glen Hansard, que interpreta o protagonista, embora não leve jeito pra ator (ou interprete um banana muito bem), é um excelente músico. Fato que traz um certo carisma ao personagem. E as canções do filme, numa pegada meio Irish folk, são maravilhosas. Tanto que "Falling Slowly" foi indicada ao Grammy e ganhou o Oscar de "Melhor Canção Original", em 2008.

Por fim, o "musical" (como prefiro classificá-lo) é tão ruim, que chega a ser quase bom. Não recomendo, a menos que você queira curtir um pouquinho de música irlandesa em um videoclipe de baixo orçamento de uma hora e meia. Mas se for só pela música mesmo, você pode conferir apenas a trilha sonora do filme. 

P.S.: Depois de escrever a resenha, resolvi dar uma olhada na recepção do filme. Acabei por descobrir que este ganhou nada menos do que o Independent Spirit Awards de "Melhor Filme Estrangeiro", em 2007, e foi super aclamado pelo público, recebendo as notas 8, no IMDb, e 88, no Metacritic. O que me leva a pensar que não assisti ao mesmo filme que o resto do mundo.


Avaliação: 2,3/5

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

#1 - O Homem Mais Procurado (A Most Wanted Man, 2014, Anton Corbijn)


Último filme de Phillip Seymour Hoffman (falecido em fevereiro de 2014) e baseado no romance homônimo de John Le Carré, O Homem Mais Procurado foi o filme escolhido para começar o ano (e o blog)!

O thriller de espionagem é envolvente e nos entrega uma última e sensacional atuação de Phillip Seymour Hoffman, interpretando o agente da inteligência alemã Gunter Bachmann, que rouba a cena, apesar de um elenco estrelado, com nomes como William Dafoe, Rachel McAdams e Robin Wright.
Issa Karpov (Grigoriy Dobrygin) é um muçulmano em Hamburgo que está atrás de uma nova chance na vida. Depois de 11/09, as inteligências mundiais estão antenadas para imigrantes árabes, com medo de possíveis ataques, em uma verdadeira guerra ao terror. O jovem, herdeiro de uma fortuna russa, acaba caindo no radar das inteligências alemã e norte-americana e torna-se um alvo. Bachmann (Seymour Hoffman) irá então, com a ajuda de Annabel Richter (Rachel McAdams) e Tommy Brue (William Dafoe), tentar provar a inocência de Issa, à medida em que arma uma operação para pegar um peixe grande envolvido em desvios de caridade para financiamentos de guerra.
Num clima de espionagem que lembra, de leve, O Espião Que Sabia Demais, também baseado no roteiro de Le Carré, o filme exige paciência do espectador em suas duas horas de duração, mas recompensa no fim das contas.

Gregoriy Dobrygin é o homem mais procurado, mas acaba sendo codjuvante aqui. Nina Hoss (Irna Frey) é um dos destaques do filme e merecia seu nome no cartaz (bem mais do que Robin Wright, no papel de Martha Sullivan, agente americana). E, pessoalmente, eu gostaria de ter visto mais Daniel Brühl (Max) em cena.

Avaliação: 3,5/5