domingo, 1 de fevereiro de 2015

#7 - Frank (Frank, 2014, Lenny Abrahamson)


Não é novidade pra ninguém que me conhece que o cinema britânico é meu favorito. E acho que já expressei isso aqui também. Logo, se um filme vem das terras da Rainha e redondezas, ele já chega com a probabilidade bem grande de me agradar. Além disso, música é uma de minhas grandes paixões. Frank reúne tudo isso com atuações brilhantes e um clima meio "cinza", que muito agrada. E esse é o título que fecha meu mês de janeiro nos filmes. 

Jon Burroughs (Domhnall Gleeson) é um inglês que leva uma vida mediana e tem o sonho de ser alguém na música. Seus dias, quando não está em seu trabalho entendiante, baseiam-se em ficar em cima do teclado, compondo suas músicas. Eis que, certo dia, uma oportunidade de ouro cai no seu colo e surge a chance de ele substituir o tecladista de uma banda underground chamada Soronprfbs, que tentou se suicidar por afogamento horas antes. Quem acerta tudo é o ex-tecladista e empresário da banda Don (Scoot McNairy) e quando ele chega pra tocar, parece que a banda não estava muito ciente do envolvimento de Jon, que também não conhecia os conhecia previamente. Durante o gig, onde tudo dá errado, conhecemos a banda, que além de ter uma sonoridade psicodélica e não muito usual, conta com músicos peculiares, entre eles, o vocalista Frank Sidebottom (Michael Fassbender), um cara que usa uma cabeça gigante o tempo todo e nunca mostra o rosto.
Devido ao show desastroso, que não contou com nem uma música completa, Jon acreditou que nunca mais ouviria falar dos Soronprfbs, Porém, para sua surpresa, é convidado para viajar com a banda para a Irlanda, onde gravarão o novo disco. Mais que prontamente, ele topa, acreditando que passará lá apenas alguns dias. Só que esses dias acabam se tornando anos e torram todas as suas economias, investidas na produção. Por mais que ele se esforce, e até conquiste Frank, o tecladista acaba por ser sempre um "outsider" dentro do grupo, nunca agradando realmente os outros integrantes Baraque (François Civil), Nana (Carla Azar) e a neurótica Clara (Maggie Gyllenhaal). Apesar disso, o disco é finalizado e, graças a filmagens "clandestinas" feitas por Jon e postadas online durante todo o tempo que passou com a banda, eles são convidados a tocar no grande festival norte-americano SXSW (South by Southwest). O sonho de fazer um grande show para um grande público, no entanto, torna-se um pesadelo e as coisas desandam feio.
O ótimo roteiro é baseado na obra "Oh Blimey!", de Jon Ronson. A inspiração inicial do filme vem de Chris Sievey, já falecido comediante e músico britânico que usava uma cabeça de papel machê e atendia sob a alcunha de Frank Sidebottom. O filme, embora ficcional, tem seu início inspirado nos escritos de Ronson dos dias em que foi tecladista ao lado de Sidebottom. 

Frank mostra o quanto a ganância e o desejo de poder podem cegar alguém, o que acontece com Jon, uma figura estrangeira que chega em um ambiente estável, por mais estranho que possa parecer, e só pensa no estrelato, ao invés de preocupar com as vontades e intenções reais da banda. Além disso, passamos o filme ao lado de Frank, que devido a algum distúrbio presente desde sua infância, resolveu aderir a um personagem ao invés de ser ele mesmo. Fassbender, diga-se de passagem, está em uma atuação excelente e nos consegue transmitir diversos sentimentos apesar dos olhos amigáveis no rosto gélido de sua máscara. A trilha sonora fecha o pacote fantástico deste filme que tem tudo para ser um grande "queridinho cult", com estreia no Brasil prevista para 5 de março, devendo passar - se passar - em pouquíssimos cinemas.

Avaliação: 5/5

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