Faster! Faster! Faster! Começo esse texto embalada no ritmo do jazz e sem saber muito bem o que dizer desse espetáculo que foi esse filme. Há algum tempo que eu não assistia a um filme que me deixasse com uma sensação de tensão/ansiedade/nervosismo na cena final como fez Whiplash, cena esta que é orquestrada de maneira deslumbrante, diga-se de passagem.
Andrew Neiman (Miles Teller) é um estudante de música que aspira ser um grande baterista. Para isso se realizar, ele acredita que precisar fazer parte da Studio Band de Terrence Fletcher (JK Simmons). Após ser pego no meio de um ensaio por Fletcher, o condutor parece desapontado com o que vê. O fato faz com que Neiman pratique ainda mais e em uma espécie de audição surpresa é chamado para a equipe tão sonhada.
Flecther, que engana parecendo amigável de início, transforma-se em um verdadeiro monstro e, inclusive, atira objetos em Neiman, quando ele não consegue o acompanhar, "not quite my tempo". Por mais que as coisas pudessem desanimar o jovem baterista, tudo isso transforma-se em combustível para torná-lo cada vez mais obcecado pela perfeição. Podemos observar isso em diversas cenas em que de tanto praticar, ele sangra na bateria.
Na primeira competição de jazz que a Studio Band participa, Neiman perde as partituras do baterista titular e acaba ocupando seu lugar por sabê-las de cor. Com isso, ele acaba ficando convencido de que finalmente alcançou a tão sonhada posição, mas descobrirá que não é bem assim que a banda toca, com o perdão do trocadilho. Um antigo colega de Neiman entra na banda e deixa a competição pela bateria ainda mais acirrada, agora que há três bateristas para uma vaga.
A segunda competição é o grande momento de conquistar o lugar ao sol. Porém, o ônibus em que viajava fura o pneu, ele tem de alugar um carro, sofre um acidente, segue andando o caminho, entra no palco sangrando e, mesmo sem a coordenação motora devida, começa a tocar, acaba não aguentando e estraga tudo. E em uma das sequências mais fortes do filme, vemos toda a gana do personagem em perseguir o seu sonho, que se vê interrompido quando ele parte para cima e tenta matar Fletcher no palco. Expulso da escola, a bateria vai parar no armário e tudo parece acabado.
O protagonista é completamente obcecado por ser o próximo grande nome do jazz. E todos os setores da sua vida são afetados e colocados em último plano, desde de seu namoro até o relacionamento com o pai. Na sequência final do filme, assistimos à queda e redenção de Andrew Neiman e somos deixados sem fôlego em uma cena nervosa e cheia de força, que fecha o filme de uma maneira inacreditável e que o coloca facilmente entre os melhores do ano passado.
Um filme sobre jazz e toda a luta e ascensão de um baterista pode até não chamar a sua atenção num primeiro momento, mas é um filme que você precisa assistir. Afinal, todos amamos jazz, mesmo que você creia no contrário. Toda a trilha sonora é impecável e o nome do filme, inclusive, deriva de uma música incrível, que é tocada várias vezes durante o longa. Além da trilha, outra coisa importantíssima são as atuações. Até então, todos os papéis que Miles Teller havia interpretado não foram de grande relevância. Porém, em Whiplash, o novo Sr. Fantástico mostrou todo o seu valor. A dramaticidade que o ator trouxe ao papel é sensacional e ele nos faz entrar na história e fazer parte dela, torcer por ele e sentir na pele a sua dor. Por outro lado, o veterano JK Simmons tem uma força no papel de Fletcher que nos mostra por que mereceu o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante e por que é o preferido do Oscar.
Avaliação: 5/5

