quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

#2 - Apenas Uma Vez (Once, 2006, John Carney)


Sou daquelas que julgam o filme pelo cartaz, sim. E tal julgamento nunca se provou tão verdadeiro. Apenas Uma Vez é um filme fraco, com atores fracos, diálogos qualquer coisa e que não começa nunca.

O que foi prometido como drama (pelo menos no catálogo do Netflix), se mostrou um verdadeiro WTF de uma hora e meia. O filme foi escolhido por minha amiga, que gostou do cartaz. Eu fui assistir esperando pelo pior, mas tive uma faísca de esperança quando nos créditos iniciais descobri que se tratava de uma produção irlandesa independente.
Nunca assisti nada feito pelo John Carney, mas ele também assina Clube dos Suicidas e, o mais recente, Mesmo Se Nada Der Certo, com a lindíssima Keira Knightley e elenco estrelado. Não sei se as percepções que tive do filme e algumas coisas que me incomodaram fazem parte do "estilo do diretor". Por isso, prefiro acreditar que trata-se de um filme experimental e não de uma produção mal feita, vide câmeras tremidas e closes forçados.
Sobre o enredo, o filme conta a história de um homem sem nome, que toca seu violão pelas ruas de Dublin, tentando ganhar a vida e viver seu amor pela música. Certa feita, este encontra uma moça tcheca, também sem nome, que se interessa pela música e puxa conversa com ele. Em diálogos bem sem graça, que minha irmã de catorze anos escreveria, eles começam a se relacionar e se conhecem melhor. O moço-sem-nome acaba descobrindo que a moça-sem-nome também é amante da música e juntos começam a trilhar uma carreira musical. Há uma tentativa de romance desastrosa, formada por diálogos tão ruins, que são até engraçados.
Apesar dos pesares, a trilha sonora do filme é muito boa. Glen Hansard, que interpreta o protagonista, embora não leve jeito pra ator (ou interprete um banana muito bem), é um excelente músico. Fato que traz um certo carisma ao personagem. E as canções do filme, numa pegada meio Irish folk, são maravilhosas. Tanto que "Falling Slowly" foi indicada ao Grammy e ganhou o Oscar de "Melhor Canção Original", em 2008.

Por fim, o "musical" (como prefiro classificá-lo) é tão ruim, que chega a ser quase bom. Não recomendo, a menos que você queira curtir um pouquinho de música irlandesa em um videoclipe de baixo orçamento de uma hora e meia. Mas se for só pela música mesmo, você pode conferir apenas a trilha sonora do filme. 

P.S.: Depois de escrever a resenha, resolvi dar uma olhada na recepção do filme. Acabei por descobrir que este ganhou nada menos do que o Independent Spirit Awards de "Melhor Filme Estrangeiro", em 2007, e foi super aclamado pelo público, recebendo as notas 8, no IMDb, e 88, no Metacritic. O que me leva a pensar que não assisti ao mesmo filme que o resto do mundo.


Avaliação: 2,3/5

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